25/10/2010

Lágrimas

Com quase 30 anos, nós já passamos por tantas coisas que às vezes é difícil distinguir em nós mesmos um choro verdadeiro de um desabafo, um golpe para convencer o marido, ou um simples momento de atuação.
Tem momentos em que todas as atenções estão em seus olhos, esperando que as lágrimas caiam. No dia do meu casamento, pedi para reforçarem a maquiagem à prova d’água. Um desperdício. Eu estava mais do que feliz: euforia e nenhuma lágrima.
Elas vieram dois anos depois, assim que concluí o vídeo que postei neste blog, com algumas imagens do que é viver cada dia depois do “sim” – o casamento verdadeiro, depois das festas, dos presentes. O começo da jornada em dupla.
Depois disso, eu não chorei mais sozinha. Nos filmes tristes ou com final feliz, nos momentos de angústia, e até mesmo quando minha revolta é direcionada a ele, as minhas lágrimas caem sobre o colo do meu companheiro.
Ele nunca soube diferenciar muito bem a emoção verdadeira de uma tentativa de persuasão. Até o dia em que uma crise de gastrite me levou ao hospital. A placa na parede informava uma espera de pelo menos duas horas. As lágrimas vieram no mesmo segundo, na direção do funcionário da emergência.
Minutos depois, já na sala de atendimento, medicada, meu marido entrou com uma expressão bem preocupada, pensando que poderia ser alguma coisa muito grave. Mas olhou bem nos meus olhos e, aliviado (e inconformado), tentou segurar o riso. Depois disso, precisei mudar minhas táticas de convencimento dentro de casa.

Bodas de algodão - 2010

23/10/2010

Sobre nós

"Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos. "

Pablo Neruda