16/05/2011

Futuro

Eu ainda não sei se sou do sexo feminino ou masculino, mas meus pais vão me amar de qualquer maneira. Desde as 17 semanas de gestação, já aprendi a chutar. Não tem hora: de manhã, à tarde ou de madrugada. Dizem que vou ser jogador de futebol.
Se eu for menino, minha mãe vai me vestir de azul. Mas se eu não gostar, posso escolher a cor que quiser. Meu pai vai me dar uma bola e um uniforme do São Paulo. Mas se eu quiser ter outro time, ele não vai brigar. Os pais dele são santistas e nunca o mandaram embora por isso.
Meus pais já combinaram, inclusive, que se eu não quiser jogar bola e preferir brincar de boneca, não vai ter nenhum problema. Eles vão estar por perto para responder a qualquer pergunta, mas não para tomar as decisões por mim.
No futuro, posso ser o que eu quiser. Médico como o vô Abrão, comerciante como o vô Pedro, posso jogar futebol como o tio Jr, gostar de computadores como o tio Mig, ou até mesmo me tornar palhaço profissional como o tio Tiago. Melhor se não for jornalista. Até lá, talvez nem meus pais já tenham até mudado de área. Mas se meu talento falar mais alto, ninguém vai me impedir.
Minha mãe tem muitas regras em casa. Mas, em relação ao futuro, ela só quer que eu seja uma pessoa de bem, trabalhe pelos meus sonhos e nunca faça mal pra ninguém.

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