Na tarde de sábado, o professor da pós-graduação me perguntou se era possível eu estar "meio grávida". Não. Não existe meio grávida, e também não existe pessoa meio ética.
O exercício começou com a divisão dos alunos em grupos. O objetivo: "ganhe o quanto puder". Começou como um jogo de sorte. Dependendo das combinações, no final de cada rodada, todos os grupos poderiam ganhar; todos poderiam perder; ou somente um grupo poderia sair ganhando.
Em certo momento, fomos liberados a negociar com os outros grupos. Todos concordaram que o melhor seria jogar limpo e, assim, todos ganhariam. Mas como era esperado, logo na primeira chance, um deles quis tirar vantagem sobre os outros e não cumpriu o combinado. Despertou a competitividade em todos. Nas próximas rodadas, todos tentaram fazer o mesmo. Fiquei questionando se, em algum momento, o professor tinha mencionado que deveríamos ganhar "mais do que os outros". Não tinha.
Antes que o professor começasse a explicar que não se tratava de quem ganhasse mais, mas que era mesmo uma questão de ética, argumentei mais uma vez com meu grupo que é sempre melhor ficar com a consciência leve do que levar vantagem enganando os outros.
Todos os dias vemos profissionais de diversas áreas passando pro cima de tudo e de todos, principalmente da ética. E não se trata somente de ganhar alguma coisa, querem ser melhor do que os outros. O problema é que, assim, todos acabam perdendo. Não falta dinheiro, mas falta confiança, respeito, fraternidade, coisas que deveriam fazer parte de uma comunidade.
Para meu alívio, o professor explicou que, se o jogo fizesse parte da seleção de alguma empresa, o respeito e a ética seriam levados em consideração. Mas ninguém quis saber dessa conversa. Todos queriam mesmo era ficar em primeiro lugar.
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