31/05/2011

Em formação

Com 21 semanas, o bebê já é capaz de escutar todas as vozes à sua volta. Ele ainda não distingue muito bem os sons, mas sabe diferenciar a voz da mãe das demais. Assim, todos os sábados nós brincamos que ele já vai nascer com uma inteligência acima da média, já que passa cerca de sete horas comigo nas aulas da pós-graduação.

O interessante é que ele parece ficar empolgado com tantas vozes e barulhos diferentes e se mexe o tempo todo, com uma intensidade que nem se compara ao resto da semana. Alguns estudos afirmam que os sons mais graves chegam com mais nitidez ao feto. Essa pode ser a razão de tanta curiosidade, já que o volume das vozes masculinas se sobressai nas discussões sobre marketing, economia e liderança.

Na última aula, meu grupo contava com seis homens e eu. Deveríamos elaborar uma estratégia de vendas. Sem muita discussão, fui eleita a líder do grupo. Também sem surpresas, consegui coordenar os trabalhos com muito mais facilidade do que nos dias em que integrei um grupo misto. Quando há mais de uma mulher, fica difícil estipular quem está no comando e as decisões demoram muito mais para serem tomadas.

Voltando ao bebê, marcamos o ultrassom morfológico para a próxima semana. Nesse exame vai ser possível detectar com certeza o sexo. Vai ser uma grande surpresa se for uma menina, já que as ações dele já me parecem um pouco previsíveis. Quer participar da bagunça quando outros homens falam, fica todo animadinho com alimentos doces, treina na minha barriga para ser jogador de futebol. Mas também pode ser uma menina, que está apenas esperando poder usar a fala para começar a dar ordens.

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