A pergunta que eu mais ouvia há três anos era: "Como é estar casada"?
Eu fui a primeira entre muitas amigas a dar esse passo. Algumas estavam apenas curiosas, outras ficaram noivas alguns meses depois e estavam simplesmente apavoradas.
Eu nunca entendi esse medo das noivas às vésperas (ou mesmo muitos meses antes) do casamento. Não era para isso que haviam sido preparadas desde que nasceram? Por mais moderna e independente seja a minha geração de mulheres, quase todas ainda têm, no fundo, o desejo de ter sua própria família.
É verdade que até uns seis anos atrás eu tinha aversão à palavra casamento. Não imaginava conviver diariamente com nenhum homem que eu conhecia. Muito menos abrir mão da minha liberdade e, pior ainda, ter que passar por todos os rituais tradicionais - igreja, vestido branco, alianças...
Na noite em que eu conheci meu marido, estava comemorando essa liberdade. Há poucos meses, eu tinha voltado para a minha cidade natal e começado a trabalhar. E não ter que dar satisfação para nenhum namorado era a melhor sensação de todas.
Mas ele não precisou de mais de uma semana para que eu me convencesse de que seria uma boa ideia começar a pensar em casamento. Eu tinha alguém do meu lado que me fazia ser simplesmente eu mesma. Em vez de me sentir presa, eu me senti mesmo livre para ser e fazer tudo o que eu mais gostava. E com uma companhia muito mais interessante do que a solidão.
É com essa história que eu começo a convencer as noivas desesperadas de que elas podem estar no caminho certo. Mas elas sabem que nem todos os homens têm as mesmas qualidades. Então, em vez de falar como meu marido é atencioso, carinhoso, romântico e fiel, eu foco sempre nos defeitinhos e dificuldades do dia a dia. Elas ficam sempre mais tranquilas quando percebem que os aspectos positivos podem ser infinitamente maiores que os ruins. É só saber escolher com quem dividir tudo isso.
Agora a nova pergunta é: "Como é ter uma pessoinha dentro da sua barriga?". Eu só respondo que é estranho e lindo ao mesmo tempo. Nesse caso, é melhor que elas descubram os desconfortos sozinhas. E a parte boa dessa fase acho que eu nem preciso comentar.
Março de 2008: casamento na igreja, com vestido branco, padrinhos, alianças, latinhas amarradas no carro e bolo com noivinhos...

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