A última segunda-feira resultou em dois braços picados pela seringa - um deles ficou com a tradicional mancha roxa e as veias esverdeadas mais evidentes. Foram vários exames de sangue, seguindo a solicitação do obstetra, para confirmar que a gravidez não trouxe "nenhuma alteração" à minha saúde. Ele não deve ter entendido bem quando reclamei das gengivas sensíveis, prisão de ventre, dores nas pernas, dores na coluna, estrias, gases, azia, insônia, agravamento da rinite, etc etc.
Somente sobre as dores nas costas, a solução foi rápida: antinflamatório. O produto ficou intacto na minha prateleira. O instinto materno e a preocupação com as contraindicações foram maiores que a dor - tão forte que era impossível ficar deitada ou de pé. A outra consulta da semana foi à dentista. Mesmo caso. Deixei de lado o medicamento prescrito e fiquei satisfeita somente com a limpeza.
Às vezes parece que a maternidade não pertence a nós, até que passe essa maratona de exames, médicos, remédios e novos sintomas a cada dia. Mas isso muda quando deixamos nossas dores de lado para preservar saudável a vida que cresce dentro da barriga. A não ser que haja reais danos para o bebê ao não seguir à risca as indicações dos especialistas, não há dor ou incômodo que seja maior que a sensação de sentir essa pessoinha maior a cada dia.
Eu soube que essa maratona iria começar no momento em que peguei o resultado do exame de laboratório. O exame caseiro, para o médico, não bastava. Foi por volta do começo de feverereiro: colhi o sangue e esperei o dia todo para pegar o resultado no final da tarde. A moça da recepção deu uma rápida olhada no papel, colocou com cuidado no envelope e lacrou. Mas esqueceu de lacrar o sorriso e o brilho nos olhos quando entregou o documento na minha mão, me olhou bem e falou: boa sorte!
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